E então Erica?- Tudo bem?
Pois nem tens idéia do quanto fiquei contente em ter te localizado. A tecnologia faz dessas coisas e ,muitas vêzes, nos surpreende. Imaginas que em algumas ocasiões em que estive em Porto Alegre, até tentei contatar com vocês, mas nem pela lista telefônica consegui. Mesmo assim ainda fiquei duvidando quando encontrei no "Facebook", pois aquela foto em que pareces uma menina de ginásio, não me permitia te identificar como a Erica. Veja só, nem coloquei a minha foto no meu Perfil porque, pelo amor de Deus,não consegui ficar assim tão conservado e tampouco aparentar essa juventude, como no teu caso. Tenho duas neta, é bem verdade, e isso já é devastador porque elas me chamam de "vovô" ( Uma delas, claro, a pequena ainda não fala). Bom isso é um detalhe,não fosse o fato de eu estar mesmo com a aparência de um ancião. Essas quase sete décadas e uma vida um tanto nômade, causaram muitos estragos. Mas vamos levando.
Pois com o passar do tempo e a gente continuando a se comunicar, vou ,aos poucos, te contando minhas histórias.
Foi ótimo que mandastes o endereço eletrônico( é assim que se diz? ) , pois dessa forma posso contar muito mais coisas que os espacinhos do Facebook e que também uso de forma muito limitada.
Pois me aposentei em julho de 2000, aliás, já estava em casa, aguardando essa jubilação, desde final de 99, portanto ainda no século passado.
Tinha vendido meu apartamento, esse da vizinhança, aí na Tauphick Saadi. Fui morar em Florianópolis, onde construi uma casa. A C., a filha maior, já tinha vindo aqui para o Hemisfério Norte. Casou por aqui e a D. resolveu que devíamos ficar todos juntos, até porque a filha estava planejando aumentar a família. Viemos e alugamos a casa de Jurerê. Nasceu então a I., a primeira neta e que ajudamos a criar. Um anjo. Nos damos muito bem e ela gosta muito de mim. Mas isso já era 2003. No início voltávamos ao Brasil a cada seis meses que é o tempo que dão de permanência para quem tem visto de turista. Num dado momento ,por causa da neta, precisamos ficar mais tempo. Aí não deu para voltar, pois certamente não nos deixariam entrar novamente. Ficamos então aguardando que a C. completasse o tempo necessário, após o casamento e obtivesse a Cidadania Americana. Assim foi. Ela se naturalizou e com isso nos foi permitido, como pais, obter o Green card, isto é , o Visto de residentes.
Dessa forma podemos ir e vir ao Brasil sempre que for necessário. Tenho ido praticamente a cada seis meses, faço check-ups nos médicos daí, inclusive dentista, pois continuo indo no Jorginho que é quem algumas vêzes me deu notícias tuas, pois parece-me que ele é compadre do Luizinho, teu irmão e me disse certo dia que te encontrara lá, numa festa de aniversário.
Bom, mas também, com o tempo, acabei vendendo minha casa de Florianópolis e comprei uma casa aqui. Isso ha dois anos e pouco.
Depois de termos comprado a casa, deu a louca na D. e ela quiz a separação. Pegou as coisas dela e voltou para curtir o pôr de sol do Guaiba. Nos deixou. A mim e também as filhas e netas. Paciência. Assim que aqui estou, de pai e mãe da C., a filha ainda adolescente e que estuda aqui. É minha companhia. A C., como falei , mora nas vizinhanças e seguidamente estou lá curtindo as netinhas, quando não tenho a missão de levar e buscar a mais velha na escola, pois êles têm só dois carros e em alguns dias a "babá", uma brasileira que cuida delas e é quem leva para a escola, fica a pé e então a C. me contrata para essas missões.
Mas esqueci de dizer: quando viemos para cá, foi para a Califórnia. Lá fiquei cinco anos. Como meu genro foi trabalhar nos escritórios da Volkswagen que estava mudando aqui para a Virginia, ja veio direto para cá. Como o "acessório acompanha o principal", aqui também viemos parar.
Moramos no Norte do Estado da Virginia, pertinho de Washington, a Capital do País ( uns 45 quilômetros, mais ou menos). Daqui podemos ir a Nova Iorque, de trem ou de ônibus, em mais ou menos quatro horas. Alguns trens especiais levam tres horas.
O Aeroporto de Washington fica bem perto aqui de casa, é uma distância como ali da Ipiranga ao Salgado Filho.
Bom, mas era isso. Vocês devem ter seus passaportes em dia, com vistos e tudo mais, pois espero que venham me visitar. Tenho uma suite especial para hóspedes, no andar térreo da casa. Depois ainda tenho mais tres quartos, sendo o meu e outros dois ocupados pela C.. Ela faz Ballet e usa um dos quartos, que coloquei piso laminado, para praticar dança. É uma casa pequenina , mas aconchegante, com uma bela lareira para o Inverno , pois aguentar o frio e a neve daqui, só tomando um muito Dreher e sentado junto ao fogo da lareira.

Para não cansar muito , vou ficando por aqui.
Fiquei feliz em encontrá-los. Mas, se puderem, levem a sério meu convite e venham mesmo. Estarei esperando. Tenho uma Van,pronta e esperando para buscá-los no Aeroporto e depois, é claro, passearmos bastante. Washington é muito bonita. Nova Yorque mais linda ainda.
Querem fazer compras? ah! bom. Pois aqui perto de casa tem uma "out let", preferida e conhecida, aliás, dos brasileiros que visitam aqui a Capital.
Até
Um abração para ti e para o Ayres
Contado por Campão.



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