29 de dez. de 2010

Sabes, Campão? - Natais

Sabes, Campão? Puxa, e nós aqui pensando que vocês estavam passando um Natal branquinho e aconchegante, pois como tens visto no blog, eu tenho gadgets de temperatura daqui, do Rio (parentes), de Cuiabá (Germano) e aí de Leesburg, e durante o fim de semana mostrava que estava nevando.

E o nosso Natal aqui foi escaldante. Nós dois passamos a ceia com a irmã do Ayres e a levamos para casa antes da meia-noite. Lá pela uma da manhã caiu um toró, com direito a raios e chuvarada.

No domingo passado, a Elmira veio me ver e trouxe como presente uma historinha de Natal da nossa infância, para postar no Blog. Passamos a tarde de mãos dadas, nos abraçando e conversando. E comendo. E relembrando as festas de fim de ano de quando éramos pequenas.

Era tão diferente o clima natalino naquele tempo.

O ponto alto do Natal era o culto que assistíamos na nossa Igreja. Contavam a história do nascimento de Jesus, a Elvira declamava poesias lindas, cantávamos hinos.

Ganhávamos presentes simples das Dorcas ( senhoras que praticavam assistência social)e um pacotinho de balas para cada um.

Voltávamos para casa emocionados e cheios do espírito de paz e bem-aventurança.

O pai fazia churrasco, quase sempre no Natal, mas às vezes era no Ano Novo.

Era o único churrasco do ano, por isso tinha um sabor especial. O pai assava chuletas, muito gostosas. Os refrigerantes, que só tomávamos em pouquíssimas ocasiões, e as cervejas (acho que o pai tomava) eram conservados gelados com serragem, porque não tínhamos geladeira. Mas era uma festança. A criançada, enquanto não estava pronta a comida, ficava brincando na frente de casa, tentando pegar vaga-lumes, encantados com o pisca-pisca. Eram nossa luzes do Natal, sofisticadíssimas.




A Elmira relembrou ( e chorou) que a mãe juntava um dinheirinho fazendo pão, costurando e lavando para "fora", e na semana do Natal mandava-a ir ao centro de Esteio (nas Pernambucanas, por exemplo), comprar um corte de tecido para um, caminhõezinhos de madeira para o Edgar e o Luizinho, uma bola para o Geraldo, enfim, coisinhas simples mas que não nos deixava passar sem um brinquedinho no Natal.
A Elmira ficava com o coraçãozinho apertado por não poder comprar algo mais valioso para nós. Tão pequena e com tanta responsabilidade! Mas os guris e eu éramos alheios a essas angústias, e na nossa inocência tínhamos Festas especiais nos fins-de-ano de nossa infância.

Campão, desejamos que tenhas um ótimo Reveillon, em paz e com saúde junto à tua família e que o Ano Novo lhes traga muitas realizações.
Abraços

Ayres e Erica

Nenhum comentário:

Postar um comentário