O meu príncipe encantado era um vizinho que veio morar perto de casa.
Ele era casado, tinha mulher e uma filha para criar. Não podia dar certo, ainda mais que ele devia ter uns trinta anos a mais do que eu.
Mas, que fazer? Eu me apaixonei por ele! E foi só num piscar de olho. Olho dele é claro!
Foi assim:
Nós tínhamos um rádio.
Ele não tinha um rádio.
A mulher dele conheceu a mãe na casa de uma vizinha e elas tornaram-se amigas.
A mãe e ela estavam grávidas e tiveram as crianças com bem pouco tempo de diferença.

Com a história da gravidez as duas tinham muita coisa para conversar, ainda mais que a filha dela era a primeira criança do casal. Devido à amizade das duas, os maridos também se conheceram e se tornaram amigos.
Então começaram as visitas de uns na casa dos outros e vice-versa.
Como eles não tinham aparelho de rádio, às vezes, quando havia jogo de futebol à noite, os vizinhos vinham escutar lá em casa.

O nosso rádio ficava no quarto do pai e da mãe, onde havia também uma cama de
solteiro onde a Érica e eu dormíamos.
Uma noite em que havia uma partida de futebol, o meu príncipe, que até ali ainda não tinha me conquistado e eu não sabia que ele seria o meu primeiro amor, foi escutar o jogo com o pai.
Os dois foram até o quarto e o pai ligou a lâmpada. A Érica e eu já estávamos deitadas.

Quando a luz acendeu e eles entraram eu sentei na cama e olhei para ver o que estava acontecendo.

O meu príncipe olhou para mim sorrindo e piscou um olho brincando comigo.

Foi aí!
Meu Deus, aquele piscar de olho foi tudo!
Gamei! Apaixonei!
Enquanto eles ficaram ali escutando o jogo e comentando o que acontecia e estava sendo narrado, eu não conseguia tirar os olhos de cima do homem. Só pensava naquela piscadela e me arrepiava toda.
Naquela noite, depois que o jogo terminou e ele foi embora, nem sonhava que tinha despertado o coração romântico de uma mulher!

Escrito por Elmira.



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