Quando morávamos em Canoas, nossa casa ficava em uma rua que, segundo diziam, terminava na beira do Rio dos Sinos. Não sei. Nunca fui até o fim da rua, pois criança não anda sozinha na rua e ninguém me levou lá para ver se era verdade.
Um dia, a Erica e eu brincávamos no pátio em frente à casa. De repente, passou uma pessoa que vinha daquele lado e falou para uma vizinha:
- Os homens caçaram um jacaré e estão trazendo o bichão arrastado. Vão passar por aqui.
Meu Deus! Que susto! Um jacaré!!!
Nós nunca tínhamos visto um jacaré, só ouvido falar. Não tínhamos idéia de como ele seria. Só sabíamos que poderia matar pessoas. Então a imaginação começou a funcionar. Pelo menos a minha!
Imaginei um bicho enorme, feio e muito perigoso que vivia tentando se soltar e querendo comer todos ao seu redor.
Ficamos dentro do pátio, perto do portão para vê-lo até que o grupo de homens que o traziam chegasse ali na frente da casa.
A imaginação funcionando o medo foi aumentando. A vizinhança estava na frente das casas e a algazarra era grande.
Quando o medo já era tanto que não dava mais para aguentar, chamei a Erica e fomos para dentro de casa.Colocamos cadeiras perto da janela da sala e ali protegidas esperamos até que o bicho chegou na frente da nossa casa.

Até que enfim! Ali estava o monstro! Mas, que surpresa! Era só um coitado de um bichinho com mais ou menos 1 metro e meio de comprimento. Estava todo amarrado e os homens o arrastavam pela rua, puxando-o por cordas.

Ficamos vendo-o passar e ir embora sem mesmo se mexer, pois estava morto.
Toda aquela adrenalina botada fora por causa daquele bichinho tão feio.
Escrito por Elmira.



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