
Lá na taipa e ao seu redor , sempre havia aves brancas que podiam ser garças ou cegonhas. Elas alimentavam-se com o arroz, insetos, rãs e sapos que havia ali em grande quantidade.
A mãe sempre nos dizia que elas se chamavam João Grande. Não sei porque este nome.
Nos dias de chuva e no inverno, quando não podíamos brincar no pátio, a Erica e eu ficávamos horas na janela, olhando a rua e o banhado. Observávamos as cegonhas e as garças, os "João Grande", se movimentarem lá na taipa. Era engraçado vê-los voando e descendo, voando e descendo para caçar.

Naquela época se explicava para as crianças que era a cegonha que trazia os bebês.

A mãe ficou grávida e teve três bebês enquanto morávamos lá. A primeira foi a Erica, depois o Geraldo e por último o Edgar. Do nascimento da Erica eu não posso lembrar, pois também era quase um bebê, mas do Geraldo e do Edgar, sim.
Eles nasceram à noite. Não havia condições financeiras para ir ao hospital, por isso os partos foram feitos em casa.


Quando acordávamos pela manhã, tinha mais um nenê na família, e a explicação:
- Foi a cegonha que trouxe.
Então, quando observávamos as cegonhas, eu tinha certeza que foi alguma delas que trouxera mais um irmãozinho.

Escrito por Elmira.



...lindas estas lembranças....saudades de minha infância...um abraço... silvia jacobus...
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