
Pedi à mãe que deixasse a Erica e eu irmos passear na rua. Nós estávamos brincando de casinha e queríamos fazer um passeio. A mãe deixou. Daí fomos até o lugar onde estava localizada a antiga olaria. Só havia pilares e buracos que restavam da velha fábrica de tijolos.
Ficamos por ali brincando.

Chegando perto do buraco, vimos uma coisa que chamou nossa atenção. Era um rolinho de papel que parecia dinheiro em cédula.
Entrei no buraco e peguei o rolinho. Ao desenrolá-lo descobri que era dinheiro mesmo. Duas notas bem novinhas, uma verde e a outra rosa.
Na moeda daquele tempo, seriam uma nota de Cr$ 50,00 (cinquenta cruzeiros), a rosa e Cr$ 10,00 (dez cruzeiros), a verde. As duas juntas valiam Cr$ 60,00 (sessenta cruzeiros).

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Não sei bem quanto seria essa quantia hoje, mas imaginemos que poderia ser R$ 60,00 (sessenta reais). Para a época, era bastante.
Pegamos o dinheiro e começamos a pensar e decidir quem ficaria com qual cédula. Decidi que a Erica ficaria com a nota cor-de-rosa, pois ela adorava essa cor, e eu com a verde.
Evidentemente eu não conhecia o valor monetário de cada uma e, já naquela época, precisava mostrar como era boazinha e desapegada do dinheiro, esse vil meta, por isso fiquei com a nota menor. (Ah! Ah! Ah!)
Muito alegres, voltamos para casa e fomos contar à mãe sobre o nosso achado e que ìamos comprar tudo de bala.

Ela perguntou se não tínhamos visto alguém por perto quando achamos o dinheiro. Poderiam ter perdido naquele momento.

Repondemos que não tinha ninguém ali.Daí ela disse que era muito dinheiro pra gastar em balas.
Meio sem vontade, entregamos o nosso tesouro. Para ela foi uma mão na roda acharmos aquela quantia, pois pôde pagar uma parte da conta no armazém do Jardelino.
E, para nos compensar, mandou o Vado no armazém comprar uma dúzia de ovos e fez uma gemada para comermos com pão d'água bem novinho.


Escrito por Elmira.



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