25 de ago. de 2011

CONTA MAIS, CAMPÃO - A Mãe Natureza e seus fenômenos

Erica & Ayres

Pois vejam vocês como são as coisas :
Quando viemos para este lado do Mundo nos estabelecemos na Califórnia. Minha filha Claudia decidira vir para os Estados Unidos e, juntamente com outros amigos, vieram e logo procuraram os brasileiros que já estavam por estas bandas.
Claro, todos jovens e dispostos aos maiores sacrifícios por alguns momentos de fama sobre uma prancha, surfando nas águas do Pacífico. Uma "glória". A opção número um da gurisada, evidentemente, é o Hawaii. Mas se a "grana" não permite ir tão longe, a Califórnia é a alternativa. Conheci dezenas, talvez até centenas de adolescentes brasileiros que outra coisa não faziam ( e não fazem) senão correrem, já pela manhã, para as agitadas e mornas águas das prais de San Diego ( ah, a bela San Diego de Alcalá, como a denominaram os jesuitas espanhóis) ou, para quem gosta de aventuras mais fortes, a rochosa praia de San Onofre, por sinal ao lado de uma linda Usina Nuclear ( imagina surfar naquelas águas, mas... gosto é gosto).
Como San Onofre não oferece quase que nada, além de suas ondas radicais, o pessoal acaba por morar em San Clemente, bem ao lado.

San Clemente, nos tempos do conflito do Vietnan, era refúgio do ex-preidente Nixon, pois lá, nessa pequena Cidade a beira-mar, está a "Casa Branca do Oeste". É uma linda casa em estilo Espanhol ( branca , naturalmente), construida no alto de um rochedo e foi residência oficial da Presidência . Ali ocorreram muitas das reuniões que decidiram os destinos não só da então sangrenta guerra do Vietnan , mas até mesmo do próprio mundo, Já que vários chefes de Estado lá estiveram reunidos naqueles tempos de crise e disputas ideológicas.
A Casa Branca, junto ao Pacífico, foi vendida pelo Governo Americano. Atualmente ela faz parte de um complexo de Resort e também está para visitação pública.

Pois ali, nas areias de San Clemente, muitas vêzes o grupo de brasileiros que por ali vive ( bem numerosos, por sinal) tinha como assunto as perspectivas para o futuro. Os "jovens surfistas" já começavam a ficar preocupados em arranjar algum trabalho, pois vieram "pegar onda" por um período de férias e já ali estavam, muitos deles, por vários anos e, pior, "ilegais".
E a conversa ia por aí e sempre a questão abordada era a insegurança dos dias na Califórnia. Já que a natureza, ao que parece, tinha abusado no "quesito" de catástrofes e desastres naturais lá naquele próspero Estado.
Furacões não são comuns por lá, mas pede outro cataclisma e certamente poderá encontra-lo naquelas terras, também conhecidas como "Far West".
As queimadas, os grande incêndios, assunto que já abordei numa outra ocasião, com os terríveis "Ventos de Santana" e agravado pelo clima extremamente sêco da parte Sul do Estado.
Mas e os terremotos? Ah os terremotos. - Esses assutavam e ainda assustam quem se aventura por aquelas terras.
Nos palpites surgidos durante as conversas, chegava-se a conclusão de que para brasileiro, adorador de Sol e Praia, a coisa ficava complicada. A Califórnia com terremotos e outras catástrofes . A região do Caribe, com praias e tudo mais, também tem lá seus problemas. Alí ocorre anualmente uma temporada de furacões que não é brincadeira. O Catrina deixou suas marcas e sequelas até hoje. A Flórida, com belíssimas praias, uma enorme estrutura turística e tudo mais, mas também sofre com os terríveis Ciclones que por onde passam costumam deixar apenas as lareiras como lembrança no local onde a a casa foi simplesmente "varrida".
Terrível , nem pensar. Resta então, a região Leste, mais para cima. As costas das Carolinas em direção a New York. Tem neve no Inverno, mas com boa vontade dá para se tirar de letra esse inconveniente. Afinal o pessoal não costuma subir lá para Gramado para ver uma nevesinha?
Nesse ponto então está tudo bem . Tem praia? - Então tá bom.

Pois não é que as coisas não são bem assim?- A Natureza, sua força incontrolável, parece que resolveu também brincar de terremotos aqui no Leste.

Na Califórnia não passava mes que não tivéssemos pelo menos um pequeno tremorzinho, só para manter em dia o treinamento para encarar esse fenômeno. As crianças nas Escolas conhecem todas as medidas de segurança para enfrentar uma situação dessas. As construções também devem possuir estruturas especiais para aumentar a segurança dos moradores.
As portas, nas residências, tanto externas quanto internas, possuem uma viga especial de proteção, pois é sob as portas que as pessoas buscam refúgio no momento dos tremores. Ficar longe das janelas é mandamento a ser observado e toda a criança sabe disso. Assim como também deve ser evitado sair para a rua. Caso seja necessário, afastar-se o mais rápido e para um ponto bem distante das paredes que podem ruir e atingir quem estiver naquela área, principalmente nas calçadas.
Pois isso não existe aqui no Leste. Aqui os esquemas de segurança estão voltados para previnir o terrorismo. Assim, nessas situações, ensinam os especialistas, a evacuação do prédio é a primeira e mais rápida providência.
E assim aconteceu . Os sensores de alarmes nos prédios públicos, sincronizados para dispararem ao menor sinal de anormalidade, atuaram com o choque e o balanço sentido nos prédios. O pessoal, sem pestanejar, saiu a mil. Todos para a Rua, onde correram um incrível risco, já que após um terremoto, sempre há os chamados "aftershocks" e que algumas vêzes tem intensidade maior que o anterior. Daí que, nesse caso, as paredes já enfraquecidas pelo primeiro abalo, podem ruir e atingir quem está nas calçadas ou em qualquer ponto jundo ao prédio.
Claro, depois dessa, certamente que vão incluir também treinamentos mais apurados para os casos de "Earthquakes", os incríveis terremotos, tão conhecidos no Oeste, mas que agora estão por aqui, a disposição dos moradores da Virginia e outros Estados adjacentes.

Mas é isso pessoal. Tudo não passou de um susto. Uma quebra de rotina ( e de algumas vidraças também).
E para não pensarem que aqui não há "tempo para se emocionar", já estamos aguardando a chegada de Irene, não a minha cunhada que mora aí em Porto Alegre, mas um glorioso furacão formado na "academia" do Caribe e com passagem por estas bandas já agendada para o final de semana.
Espero que quando cruze por aqui já esteja com intensidade bem reduzida. De preferência até que já esteja transformado numa ligeira e refrescante brisa, pois ainda faz calor neste lindo Estado da Virginia e na nossa simpática Leesburg.

Até pessoal.


João Carlos Campão- Leesburg, VA.

Nenhum comentário:

Postar um comentário