9 de set. de 2011

CONTA MAIS, CAMPÃO - Histórias da nossa História

 



Pois é Erica, tempos atrás, mais precisamente há dois anos, em 2009, estava eu pensando e lembrando de muitas coisas do passado e também da convivência que a vida tem me proporcionado com pessoas incríveis e maravilhosas. Enquanto muitas pessoas falam orgulhosas do seu grande círculo de amizades, incluindo aí pessoas de destaque na sociedade, lideranças políticas e até algumas celebridades, eu fico também orgulhoso também mas de meus poucos e leais amigos. Isso é incrível, tenho mesmo poucos, mas seletos amigos e isso me deixa feliz. Pois olha só : foi em 1979 quando formamos aquela turma de aspirantes a uma carreira no Estado e, para isso, fomos levados a cursar aquela Escola. É isso mesmo? - Faz tanto tempo assim?
Pois é, naquela época, há dois anos passados, devíamos ter comemorado esses trinta anos de convivência, interrompidos, naturalmente, pelo encerramento das carreiras de cada um , principalmente pelas aposentadorias.
Formávamos um grande grupo. Até divergências tínhamos em algumas ocasiões, o que tornava, me parece, ainda mais sólida a amizade e a estima que tínhamos uns pelos outros. Pois essas horas de divergir eram também momentos em que demonstrávamos a nossa lealdade. Principalmente nossas convicções que, de uma forma ou de outra, acabavam sendo adequadamente compreendidas.
Pois quantas e quantas coisas se passaram nesses trinta anos ou pelo menos no espaço de tempo em que convivíamos mais próximos.

Impressionante os fatos que relatastes. Eu desconhecia realmente e se alguma outra pessoa tinha conhecimento de tudo aquilo, ela foi realmente de uma lealdade incrível para contigo, pois nunca mesmo alguém tocou ou mesmo deu a entender que algo de muito sério estava ocorrendo e, além de tudo, com tua saúde.
Claro, almoçamos juntos um dia, depois de um longo período em que, até mesmo por razões de trabalho, ficamos afastados. Nessa oportunidade, nesse almoço em que a Bia participou, foi quando pude comer aquêle frango desossado de que falei tempos atrás, lembra?
Pois então foi a Graça quem preparou?- Olha só como anda minha memória. Nem lembrava mais disso.
Mas a verdade é que o destino nos prepara certas surpresas e que, muitas vêzes, são até inacreditáveis.
As questões políticas são também instrumentos de mudanças incríveis e de uma força descomunal, se comparadas com nossas poucas e frágeis tentativas de resistência. Poderíamos ter chegado ao final de nossa jornada profissional ainda constituindo um grupo sólido e unido. Mas os governantes tiveram que por em prática seus sonhos de poder e de mudanças espetaculares.
Aquela tentativa ( digo assim porque acabou não dando certo, nem chegou a quatro anos) de extinguir a Administração Superior da Segurança, lá onde estávamos, promoveu essa diáspora irreversível. Transformou-nos em seres até desconhecidos. Passamos a viver incógnitos uns para os outros. De todos nós, naquele local de trabalho, fiquei apenas eu. Com o tempo o Sérgio ( uma grande figura)acabou indo para lá, mas já um pouco depois e não por muito tempo. Ele acabou também antecipando a aposentadoria, depois daquela tragédia que viveu.
A Vera Lucia acabou passando também uma temporada lá, curtíssima e até aposentar-se. Ela ainda vivia com o Roland e êle pressionava para que ela largasse o Estado.
Mas já não éramos o mesmo grupo. Havia um elo perdido naquela sequência de tempo iniciada lá em meados de 1979.
Mais de trinta anos. A tecnologia do futuro ( era assim que naqueles tempos víamos os computadores e as comunicações de que dispomos agora) nos salvou. É que, graças aos recursos de que dispomos e temos acesso hoje e, por incrível que possa parecer, estamos então passando por um processo de reagrupamento. Começou contigo. Sei que ainda está incipiente esse tal processo, os passos não são longos como gostaríamos que fossem. Mas acho que temos o início. Já nos comunicamos e tenho imenso prazer em participar do teu blog, contando aquelas aventuras e histórias daqui deste lado.
Já resgatamos a Bia. Tenho tido contato, como te disse, com o Sérgio ( ainda ontem falamos sobre um processo que temos na justiça e contra o Estado). Falei com a Vera também. O Délcio também possue Email e, por sinal, também anda doido por reencontrar o pessoal .De repente, quem sabe, eu encontre mais algum, seja através do Facebook ou por Email.
Mas são todos meus grandes amigos, meu inesquecível e pequeno grupo de amigos.

Mas tua narrativa me emocionou. Obrigado por ter compartilhado aquela episódio que, embora triste e cercado de momentos de dor, acabou sendo superado. Ao menos quanto a tua saúde.
Aos poucos vou também superando as sequelas dessas armadilhas preparadas pelo destino.
Vim para este País, para este lugar que eu costumo chamar de Zona Norte do Mundo.
Depois de estar com a vida organizada, vivendo aqui como um imigrante privilegiado, pois não vim em busca de trabalho, como a grande maioria dos nossos patrícios que aqui estão, acabei tropeçando na ruptura de um casamento que já durava 33 anos. Foi realmente um choque de muitos e muitos "volts ".
De uma hora para outra o destino me armou essa. Estou vivendo os papéis de pai e mãe de uma adolescente. Não encontrei um "manual" para essa tarefa. É, na verdade, uma missão que estou procurando cumprir por intuição. Vamos ver no que vai dar. A Carla é um boa e inteligente menina. Iniciou agora o último ano de High School. Deve estar formada em junho do próximo ano. Já completou seus dezessetes anos. Está com carteira de motorista de aprendiz e logo terá a definitiva( aliás, já ganhou o carro, mas só pode dirigir estando junto comigo ). Este ano ela obteve o "status" de Imigrante também, pois o processo ainda estava pendente. Com isso fica bem melhor para resolver o próximo passo que é uma Universidade.
Inicio do próximo ano já devo iniciar o processo para naturalização. A vantagem para quem é Cidadão americano é que pode sair e entrar aqui quando bem entender e, se desejar, pode até retornar para o país de origem. Essa opção não é facultada para quem possue Green Card, como no nosso caso e que não permite permanecer longos períodos fora dos Estados Unidos, correndo o risco de ter o visto de imigrante cancelado.

Mas é isso, guirizada.

Que bom ter notícias de vocês.
Estou tentanto uma brecha na agenda de compromissos por aqui e poder viajar ao Brasil.
Quando for possível, avisarei.


Até


João Carlos - Leesburg, VA.

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