25 de abr. de 2011

Páscoas de antigamente

Hoje a Elmira veio me ver, e começamos a lembrar das Páscoas de nossa infância.
A primeira lembrança que ela tem da comemoração de Páscoa foi a do ano em que o Geraldo nasceu. A mãe ainda estava de  resguardo por causa do parto, então o Pai e a Elfrida organizaram os ninhos em caixas de sapatos e com palhinha, onde colocaram os ovinhos e coelhinhos e cada ninho ganhou um papelzinho com uma frase, que identificava o dono do ninho - tipo amigo secreto.

O Pai costumava, nos fins de semana, jogar cartas com alguns amigos numa espécie de armazém onde, além das mesas para beber e jogar - o jogo ainda não era considerado ilegal -, também comercializavam doces típicos da Páscoa, como ovos e coelhos de chocolate, ovos de marzipan e de açúcar.  Nesta ocasião, quando ele chegava para jogar, já encomendava com a mulher que atendia a venda, a quantidade de ovinhos e coelhinhos de acordo com o número de filhos, e ela separava a mercadoria. Quando terminava o jogo, o Pai levava tudo para casa, onde eram arrumados dentro de caixas de sapatos, que a Mãe enfeitava previamente com papel colorido.Na manhã de domingo, eles escondiam os ninhos para serem caçados por nós. De acordo com o clima, os ninhos eram ocultados dentro de casa ou no quintal.
Nesta primeira lembrança, os ninhos foram escondidos dentro de casa, porque era no mes de abril, e nesta época já geava (os invernos eram mais rigorosos e começavam mais cedo). No domingo de manhã, nós, crianças,  acordamos cedo e antes mesmo do café já fomos procurar nossos ninhos. Quando alguém achava um, tinha que perguntar para um adulto se era seu, já que não sabíamos ler, ainda. Se por acaso aquele ninho não era nosso, ficávamos tristes e pensávamos que o Coelhinho não tinha trazido nada para nós. Mas logo todo mundo estava com seus ninhos em mãos e muito contentes devorávamos as guloseimas.
Mais tarde, quando o número de  boquinhas para alimentar aumentou (nasceram o Edgar e o Luiz) e a grana foi ficando mais curta, a quantidade de ovinhos de Páscoa foi diminuindo e no lugar deles a Mãe (que era muito prendada e criativa) passou a fazer em casa  ovinhos, rapadurinhas (de amendoim e de leite) e pés-de-moleque.
Os ovos eram ovos de galinha cozidos e pintados, ou então ela usava as cascas de ovos de galinha que eram esvaziados e separados semanas antes da Páscoa. Usava o conteúdo, furando nas duas extremidades e conseguindo deixar a casca intacta.
Ela fazia uma recheio de amendoim torrado com calda de açúcar e colocava em cada casca de ovo. Depois, fechava os dois orifícios com papel de seda colorido e os pintava com cores diferentes.
A gente adorava e nunca ficávamos sem presentinhos de Páscoa, por mais simples e modestos que fossem!

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