14 de abr. de 2011

CONTA MAIS, CAMPÃO - As Flores da minha Casa

As Flôres da minha casa

Erica & Ayres: Pois parece que, depois de um longo e tenebroso inverno, finalmente podemos saudar a chegada de uma radiante e florida primavera. Logo que vim para esta casa, plantei Tulipas em diversos locais por aqui. Agora elas começam a florir. São lindas. Gosto de Tulipas. Lembro que quando aluno de Ginásio, ali no La Salle, em Canoas, nos foi passada, pelo professor de Desenho, a tarefa de elaborarmos um trabalho que tivesse como tema a flor. Uma flor qualquer, da livre escolha de cada um. Não sei bem porque, escolhi a Tulipa. Nem sei como obtive o modêlo para o tal desenho. Talvêz de algum calendário, alguma gravura que estivesse lá por casa, coisa dessa ordem. Pois, imagino eu, ninguém na Escola ou ali em Canoas, conhecia, ao vivo uma Tulipa. Muito menos soube de alguém que possuisse alguma plantação dessa flor em seu quintal. Nem mesmo os grandes e exuberantes jardins da Instituição dos Irmãos Lassalistas possuia tal flor.




Claro, com o tempo descobri que realmente, naquela época, ela não existia no Brasil, pois era uma cultura européia e com a maior produção concentrada na Holanda. Mas o importante é que consegui fazer realmente um razoável desenho de uma Tulipa. Que, por sinal, até ficou bem. Chegou mesmo a integrar o grupo dos desenhos selecionados para uma pequena exposição que os Lassalistas, na época, promoviam com os trabalhos executados pelos alunos e durante o ano escolar. Claro, fiquei contentíssimo. Mas ficaria pendente, ainda por muitos e muitos anos, a oportunidade de ver, tocar ou, eventualmente sentir o aroma de uma verdadeira Tulipa.
Isso só me foi permitido já quase aos cinquenta anos. Conhecendo a Europa e hospedado num desses hotéis "econômicos", que recebem estudantes durante a maior parte do ano e, no inverno, servem também para abrigar turistas com limitações de recursos.

Ao descermos para o café da manhã, no hotelzinho de "meia" estrela, vimos que todas as pequenas mesas, preparadas para o desjejum, estavam decoradas com uma solitária porém, digamos, magnifica Tulipa vermelha.


Foi alguma coisa de insquecível. Eu ali, sentando para meu frugal café da manhã e diante da majestade daquela flor e suas longas folhas verdes. Finalmente estávamos frente a frente . Pude então conferir e, quase quarenta anos depois, fazer uma crítica do meu trabalho, daquele desenho em que a musa e modêlo era completamente desconhecida para mim. Me senti também feliz, como na ocasião em que conclui aquele trabalho de ginásio e o entreguei ao professor. Aliás, desta vêz, duplamente feliz. Percebí que até os pequenos detalhes, daquela magnífica flor vermelha, estavam também contidos naquela minha primeira tentativa pelas Artes Plásticas (deve ter sido a única, por sinal, mas valeu).

Pois agora, daqui das janelas de minha sala, posso ver lá embaixo o meu minúsculo jardim, ou"front yard",como chamam aqui, e admirar minhas Tulipas, plantadas já há bastante tempo , mas que, depois de florescerem e secarem, os bulbos são mantidos na terra e, no ano seguinte, elas surgem como que anunciando e saudando a chegada de cada Primavera.

São lindas. São amarelas; vermelhas; rosadas; algumas com dois tons de côres e também as brancas.





Tenho um grande carinho por todas elas, mas as vermelhas eu as tenho como especiais. Essa era a cor da primeira delas que conheci, ainda lá naquele pequeno e modesto "hotel" de Amsterdam. No mais, tudo bem. Até outro dia.



Um grande abraço do




J.Carlos Campão - Leesburg, VA.





Contado por Campão

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