Mas lá em casa não era muito frequente o consumo do queijo.
Um dia, não sei por que milagre havia um pedaço de queijo colonial na mesa, à hora do café.

A mãe serviu o café, e cortou um pedaço de queijo para cada um. Tomamos o café e fomos brincar no pátio, enquanto a mãe lavava a louça.
Não tínhamos pia, daí a mãe colocava uma bacia com água na ponta da mesa para lavar, e outra bacia sem água onde colocava a louça já lavada e enxaguava com água quente. Para a limpeza da louça usava um sabão em barra, da cor de queijo.

Neste dia, ela estava lavando a louça e, de repente, o Geraldo (que era bebê e estava no berço) começou a chorar. A mãe largou o sabão na outra ponta da mesa e foi atendê-lo.
Eu estava brincando lá fora, mas de vez em quando pensava no pedaço de queijo que sobrara.
Entrei na cozinha e vi sobre a mesa o pedaço de sabão, o qual confundi com o queijo, e como a mãe não estava ali, peguei o sabão e dei uma bela mordida e ... argh! Que nojo, não era queijo!

Tirei depressa o sabão da boca e coloquei-o onde estava. Saí correndo para a rua, cuspindo muito.

Foi só o momento de sair e a mãe voltou para a cozinha.
Quando ela chegou e viu os dentinhos no sabão, ficou admirada. Depois nos perguntou quem tinha mordido o sabão e, é claro, não foi ninguém.

Somente depois de muito tempo é que contei que fui eu quem mordeu aquele sabão pensando que iria degustar um belo pedaço de queijo!
Escrito por Elmira



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