
No lado direito da nossa casa, havia um terreno baldio. Era o campinho de futebol, onde os guris se reuniam com outros amigos da vizinhança para jogar bola.
Um dia chegou um homem com um caminhão cheio de materiais. Eram moirões, arames e outros apetrechos que foram descarregados na frente do terreno. O homem cercou o terreno e terminou com o campo de futebol. Ele havia comprado o terreno.
Depois de cercar a área ele fez uma plantação de legumes e hortaliças ali.
Quando começaram a crescer as plantas, ficou muito bonito.
Naquela época a mãe já não tinha mais galinhas, mas a Dona Eva ainda tinha um galinheiro com muitas aves.

Como a cerca era feita só de arame farpado, as galinhas da vizinha que saíam do galinheiro para ciscar no pátio passavam pelo nosso terreno e iam para a plantação do vizinho e faziam a festa.

O homem não morava ali perto, mas vinha sempre cuidar e limpar as ervas daninhas do terreno.
Ao ver sua plantação destruída pelas galinhas, ficou zangado. Comprou veneno e colocou por ali. Quando as galinhas comeram as plantas com veneno , morreram. Algumas, morreram em nosso pátio.

Então o pai fez um buraco fundo para enterrá-las. Enquanto ele cavava o tal buraco, a Erica e eu estávamos perto dele, observando e tagarelando.
Aí a Erica perguntou:
- Pai, tu vais plantar as galinhas para elas crescerem para nós comermos? ("Tu vai plantá galinha prá crescê prá nóis comê?)
O pai e eu rimos, achando graça da pergunta dela, e ela ficou nos olhando como quem diz:
Ué, o pai faz buracos para plantar milho, nada mais natural do que plantar galinhas no buraco, né?
Escrito por Elmira.



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