" Ah! Minha Casa!
Até hoje quando penso nestas palavras fico encantada! "Minha Casa"!
Porque eu fico encantada?
Bem, é uma história que vem da infância.
Sempre fomos muito pobres e morávamos em casas de aluguel. E isso era um tormento. Ficar mudando de casa é uma coisa muito desgastante e triste. Em cada casa que tu moras, fica um pouco da tua história. Dos momentos bons. Dos momentos ruins. Dos segredos. Enfim, de ti. E a gente não pode chamar de "minha casa", pois essas casas pertencem a outras pessoas.
Mas se tu não tens condições financeiras para comprar a tua casa, acostumas e vais te adaptando à situação de aluguel. Precisas morar em algum lugar, não é?
Morei com meus pais até o dia do meu casamento e sempre em casas alugadas.
Quando o Milton e eu decidimos casar, fomos procurar uma casa em algum lugar que pudéssemos comprar, mas eram tão caras! Não dispúnhamos nem do necessário para darmos de entrada. Então entramos nessa de aluguel. Moramos em duas casas de aluguel, até virmos morar aqui.
Esta casa também foi alugada para nós.
A Erica a havia comprado para os nossos pais morarem. Quando a mãe morreu, o pai mudou-se daqui por motivos dele.
O Milton e eu estávamos passando por sérias dificuldades. Nosso aluguel que era "em conta" para nós no momento, deu um salto no valor. O dono da casa queria um reajuste muito alto, coisa que não poderíamos pagar. O custo de vida era alto e um aluguel exorbitante nos deixaria "apertados"! para as demais despesas.
A Erica nos tirou desse aperto, alugando essa casa por um valor bastante acessível e viemos morar aqui. Ficamos alguns anos pagando aluguel.
Um dia, a Erica chegou aqui e nos disse que queria vender a "chave da casa". Nós teríamos a preferência de comprá-la. Ficamos atarantados. Não dispúnhamos de dinheiro para comprá-la. Fiquei muito preocupada. Se tivéssemos que sair daqui só poderíamos pagar aluguel em algum lugar muito mais simples.
O Milton havia sido demitido da empresa em que trabalhava e ganhara uma pequena indenização. Ele e a Erica conversaram e ficou decidido que ela venderia a chave da casa por uma parte da indenização.
Compramos a chave. Como a casa foi financiada, ficamos pagando as prestações que faltavam e estavam dentro do nosso orçamento.
Um belo dia surgiu a oportunidade de podermos quitar as prestações da casa, e então precisávamos conseguir a hipoteca que tinha de ser liberada pela Caixa Econômica Federal.
Isto foi um parto!
Eu ia na financeira toda hora, mas lá diziam que a Caixa ainda não havia liberado. Eles estavam providenciando. Volte tal dia. E lá ia eu novamente e a história se repetia.
Até que um dia o Ayrinho, o marido da Erica, resolveu nos ajudar. Pegou os papéis que não tínhamos foi lá na Caixa e num "passe de mágica", conseguiu a hipoteca.
Marcamos um dia para irmos ao Cartório e foi feita a venda da casa. Recebemos a escritura em nosso nome.
Saímos dali e fomos no Cartório de Registro de Imóveis para acertar os trâmites finais.
Tudo isso foi feito tão rápido que eu nem conseguia respirar direito.
Terminou!
Fomos para casa com a escritura em mãos. Sentei no sofá e fiquei pensando. De repente caiu a ficha.
Oh! Agora eu era a "Feliz Proprietária" da "minha casa" pela primeira vez na vida.
Parecia um sonho, mas era a melhor realidade.
E agora aqui estou eu na "minha casa" graças a Deus e a Erica que me ajudou nesta realização.
Muito obrigada!"
Escrito pela Elmira, em agosto de 2010.



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