5 de fev. de 2012

Erica sem o Ayres


“ E quando a morte sobrevem, lenta ou atirando-se do alto como uma ave de rapina, após um primeiro período de horror e impotência, quando o mundo perde o sentido e nós todas as referências, sentimo-nos dentro de um túnel sem consolo.

O sofrimento nos concentra em nós mesmos, quase nenhum conforto vindo de outras pessoas, no início, nos atinge. Agarramo-nos a nós mesmos com unhas e dentes – aparentemente , somos a única coisa concreta que nos restou.

Na morte do parceiro rasga-se de alto a baixo todo um mundo nosso – a vida explode em carne e sangue e escombros de sonhos.

Quem ficou sente que uma parte sua desapareceu no ar como se uma granada lhe tivesse arrancado a metade do corpo. Pedaços de nós voaram para todo o lado, e levaremos tempo – e dor – para catar, aqui e ali, o que parece ter sido nosso e reconstituir um novo ser, o eu-sem-outro, esse remanescente do que fomos”.

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“Os que amei e morreram me visitam, não como fantasmas ou espíritos, mas como realidades: o tempo não é tão importante, nada do que houve se destruiu, está em mim para que eu o preserve”.



Trechos do livro de  Lya Luft  Histórias do tempo (2001)

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