“ E quando a morte
sobrevem, lenta ou atirando-se do alto como uma ave de rapina, após um primeiro
período de horror e impotência, quando o mundo perde o sentido e nós todas as
referências, sentimo-nos dentro de um túnel sem consolo.
O sofrimento nos concentra
em nós mesmos, quase nenhum conforto vindo de outras pessoas, no início, nos
atinge. Agarramo-nos a nós mesmos com unhas e dentes – aparentemente , somos a
única coisa concreta que nos restou.
Na morte do parceiro
rasga-se de alto a baixo todo um mundo nosso – a vida explode em carne e sangue
e escombros de sonhos.
Quem ficou sente que
uma parte sua desapareceu no ar como se uma granada lhe tivesse arrancado a
metade do corpo. Pedaços de nós voaram para todo o lado, e levaremos tempo – e dor
– para catar, aqui e ali, o que parece ter sido nosso e reconstituir um novo
ser, o eu-sem-outro, esse remanescente do que fomos”.
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“Os que amei e
morreram me visitam, não como fantasmas ou espíritos, mas como realidades: o
tempo não é tão importante, nada do que houve se destruiu, está em mim para que
eu o preserve”.
Trechos
do livro de Lya Luft Histórias
do tempo (2001)



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