9 de mai. de 2011

CONTA MAIS, CAMPÃO - Furacões

Erica & Ayres :

Como estão todos? -
Tenho lido, pelos jornais daí de Porto Alegre, que o clima já está dando mostras do Inverno que está por chegar. Quer dizer, já está ali na esquina e a qualquer momento é capaz de bater na porta. Porisso é bom estar prevenido e com bons cobertores, das Casas Pernambucanas, é claro.
Mas esse não é exatamente o assunto meu para hoje. Aliás falei nisso, porque alguns amigos daí de Porto andaram me escrevendo, outros até telefonando, como foi o caso da minha cunhada Irene, desejando saber notícias daqui. Principalmente dessa nossa temporada de tormentas ou tornados ( pronuncia-se tornados) , como falam aqui.
Pois o destino reserva-nos, sempre, alguma coisa inusitada enquanto cumprimos essa jornada terrena. Olhem só: vivi alguns anos na Califórnia, cheguei mesmo a morar uma temporada em San Francisco- só um parênteses: se estão planejando vir até este lado do mundo, por favor, programem uma esticada até essa linda e peculiar Cidade. San Francisco é realmente um lugar lindo e inesquecível. Poso acompanhá-los até lá e sem custos adicionais.
Mas como dizia, viver na Califórnia é uma aventura e tanto. Quando menos se espera, acordamos com a cama sacudindo e os quadros balançando nas paredes. Terremoto!!! Todos corremos imediatamente para baixo das mesas, onde podemos ficar um pouco mais protegidos ( ainda que um tanto desconfortável). Em várias ocasiões acordei e deparei com uma das filhas, já em pé, na porta do quarto e com os olhos apavorados porque tinha sentido aquêle tremorzinho. Com o tempo até dá para acostumar, desde que não passe de 3 ou 4 pontos, naquela escala criada por "Richter". Até aí tudo bem e sob controle.
Viemos, em determinado momento, para o Leste. A Virginia, este Estado lindo , verde e exuberante.
Pois agora descobrimos que, dentre tantas coisas peculiares destas terras do lado do Atlântico, uma delas tem características verdadeiramente assustadoras. São essas tempestades incríveis, com ventos que sopram a muitas e muitas milhas por hora e que, dependendo dessa intensidade, podem varrer da paisagem uma pequena cidade, em questão de minutos.
Estou tendo meus primeiros contatos com esses fenômenos agora, nesta temporada. Em anos anteriores êles não se fizeram presentes.

A Carla, minha filha está numa Academia de dança. A paixão dela. Pois neste próximo final de semana haverá a apresentação do grupo de Ballet Clássico e lá estará ela, participando de "A Bela Adormecida". Até aí tudo bem. Acontece que ela precisava de um calçado e também de umas "meias" daquelas especiais para dança. O único lugar aqui nas redondezas que dispõe de uma loja especializada , fica no Estado de Maryland, nosso vizinho aqui mais acima, passando o Rio Potomac ( esse rio divide os dois Estados aqui e também Distrito de Columbia, a Capital do País). Acontece que o Rádio e a TV estavam emitindo alertas para uma dessas tempestades que se formava e tinha o centro ( aquele funil de vento, nuvens e chuva) previsto para ter sua passagem exatamente aqui neste Condado. Os avisos pediam para que as pessoas ficassem afastadas das janelas, buscassem abrigo nos porões (tôdas as casas têm um e são chamados de "Basement").
Mas tínhamos que ver as tais meias e lá fomos nós. Mantivemos o rádio do carro sempre numa estação que emite alertas e pegamos a estrada.
Felizmente deu para ir e voltar sem maiores transtornos. A volta já foi até com Sol. Melhorou o tempo. Graças a Deus. Chegamos sãos e salvos.
Mas é mesmo uma coisa assustadora. Por aqui não tivemos dessas tormentas devastadoras. Mas no Estado da Carolina do Norte, que fica aqui abaixo da Virginia, ocorreu uma , no final de semana, e deixou muita gente desabrigada, tanto pela força do vento que destrói as casas, como pelos efeito das cheias com o transbordamentos dos rios. Como já devo ter escrito em outra ocasião, aqui as casas são todas construidas em madeira. Diferente daí, onde os temporais destelham as residências, pois são em geral de alvenaria, aqui o vento remove a casa inteira de um lugar para outro. Ficam só as fundações e o porão , o tal basement. Algumas vêzes a lareira, por ser de tijolos, também resiste. Mas o restante da casa....Já viram, não?

Pois é isso, meus amigos. A temporada é de "furacões", por aqui. Mas até agora tudo bem, os alertas do radio e da TV nos ajudam a estar alertas. Felizmente, em muitas ocasiões, a tempestade acaba mudando de rumo e indo para outros lados. Como foi o caso dessa de hoje. Fiquei um pouco assustado e preocupado, mas acabou não dando em nada. Mas vamos continuar em estado de "alerta laranja". No "alerta vermelho" vou para o porão, sem dúvida.

Um bom final de semana.
Espero, passada essa temporada, voltar a mandar notícias com maior regularidade.
Até.


 
João Carlos Campão - Leesburg, VA.

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