23 de mar. de 2011

CONTA MAIS, CAMPÃO - Grandes Lembranças

Grandes lembranças

Pois é , Erica. Lembro mesmo, é claro, dessa época em que trabalhávamos juntos e eu comentava sobre a coincidência do aniversário da Bia com a chegada do Outono.
Aliás uma das coisas que me encantava, aí em Porto Alegre, era justamente essa mudança de Estação. Essa chegada do Outono.
Eu, durante muito tempo, ia de ônibus para o trabalho. Era o T1, me parece. Percorria algumas ruas alí do Bom fim e seguia para os lados do Centro Administrativo. Mas essas viagens tornavam-se especiais mesmo era nesse início do Outono. Tanto ao passar pela Redenção, quanto ali pela Praça Garibaldi, o que mais chamava a atenção de quem cumpria essa jornada, eram as Paineiras  floridas. Lindo de se ver.  Aquelas árvores que mais pareciam enormes bouquets , grandiosas e totalmente cobertas de um lilás muito suave e surpreendente. Surpreeendente porque, acho eu, nada floresce nessa época, a não ser as Paineiras de Porto Alegre.


Mas o tempo é realmente de se emocionar. - Pois ao lembrares daquêles locais onde almoçávamos, confesso que senti mesmo uma imensa saudade dessas coisas tôdas. Fiquei a pensar e a percorrer em pensamento aquêles roteiros que costumava fazer nos horários de almoço. Durante muitos e muitos anos, realmente dependi desses locais na hora da refeição. Eu, particularmente, ainda antes de ingressar no Estado, já percorria alguns desses pontos de almoço alí pelo Centro de Porto Alegre. Uns bons, outros regulares e até uns infernais.



Alguns eram tão ruins que eu acabava optando pelo cachorro-quente do "Bigode", ali na Galeria Rosário. Bem no início era até um "cachorro" convencional e trivial, mas com o tempo êle foi incrementando e nem sei como acabou aquêle modelo alimentar, composto de pão, salsicha, cebola picada, queijo ralado, milho, ervilha e sei lá quantas outras misturas mais continha aquela iguaria. Comia aquilo acompanhado de uma Coca Cola, ainda daquelas de garrafinha de vidro, que a gente acabava colocando sobre uma caixa vermelha, do extintor de incêndio, ali no corredor da Galeria. não havia mesas e muito menos mãos para segurar aquilo tudo.


Mas isso foi outra época. A nossa época, já trabalhando para o Estado, é outra. Melhorada em muitos pontos. Dava até para algumas estravagâncias, como essas de comer em restaurantes da Riachuelo.


Excelente a tua menória ao lembrar de muitos dêles. São inesquecíveis mesmo.


Pois também não lembro o nome daquêle onde havia um pianista. Ali, antigamente, foi a Sede do Jóquei Club. Lugar agradável, almoçávamos e curtíamos uma boa música. Aliás, deves lembrar, lá estivemos num ou mais aniversários da Bia. Costumávamos pedir músicas de nossa preferência e o pianista, uma excelente e paciente pessoa, buscava lá nas suas partituras e dedilhava, com a sensibilidade de um "Chopin," aquilo que solicitávamos.


A Beatriz adorava a música do filme Casablanca: "As time goes by". Linda, por sinal e êle, o pianista, executava com ares do próprio "Sam" o personagem, também pianista, do clássico filme. Eu tinha uma predileção toda especial pela música "Lago de Como", lembra? - Até hoje, já depois de "adulto", ainda me emociono com essa música. Claro, com o tempo as emoções passam a ser dobradas, principalmente porque agregam exatamente essas lembranças de que falamos agora. Lamentávelmente não lembro da tua música preferida. Sei que êle também executava "pour Elise", mas não lembro se era também algum pedido nosso.


Durante algum tempo, bem lembrado, fomos também clientes assíduos do Ilha Natural. Um lugar muito agradável e com boa comida. Era atendido pelas proprietárias e fazia muito sucesso em Porto Alegre.


Mas depois os tempos mudaram e mudamos nós também. Nos separamos todos, numa "diáspora" onde cada um trilhou seu caminho, buscou concretizar seus objetivos.


Estamos nos reencontrando, é bem verdade. E aos poucos, quem sabe, talvez o destino nos reserve um grande encontro, desses memoráveis, onde velhos e inesquecíveis amigos estarão reunidos e contando suas histórias. Passagens com estas que agora lembrastes .

Obrigado, Erica, pelas boas e incríveis passagens e lembranças que postastes.


Só mais uma recordação: apesar desses lugares todos que mencionastes e outros que também depois me vieram à memória e onde fazíamos refeições, eu gostaria de observar: se me perguntassem sobre o que mais apreciei em termos de comida, nesse tempo todo, eu respoderia que um fantástico frango desossado e recheado, preparado por uma de tuas irmãs, é aquilo que considero "um prato inesquecível" dentre todas as coisas que comi, naquela época e talvez ainda de outras épocas.


Aquêle frango que era comprado na Banca do Polonês, ali no mercado. Tá lembrada? Que coisa incrível ! Nunca mais comi daquele prato e nem conseguí, mesmo dando a receita, que alguém pudesse repetir para mim, a fórmula usada por ela.
Pois é, mas é tempo de se emocionar mesmo.
Até as próximas e novas emoções!






João Carlos - Leesburg, VA.






                                                           Contado por Campão.

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