30 de jul. de 2010

Mário Quintana - o nosso poetinha

Hoje o poeta Mário Quintana faria aniversário.

Cheguei a encontrá-lo (passar por ele) na Rua da Praia, no calçadão da Praça da Alfândega, nos anos 80. Ele já estava frágil, caminhava bem devagarinho, apoiado numa bengala, lembrava um passarinho, com o cabelinho branco que parecia uma penugem. Me deu uma emoção tão grande. Pensei: "queria que ele fosse meu avozinho". A imagem dele dava ternura.


Acho que ele fazia esta caminhada quase todos os dias, tanto que tem uma foto dele passeando neste trecho da Rua da Praia.
Praça da Alfândega, onde eu tive o privilégio de cruzar por ele



Poetinha passeando muito elegante


O poema que eu mais gosto dele é este:


"O Mapa"

Olho o mapa da cidade

Como quem examinasse

A anatomia de um corpo...

(E nem que fosse o meu corpo!)

Sinto uma dor infinita

Das ruas de Porto Alegre

Onde jamais passarei...

Há tanta esquina esquisita,

Tanta nuança de paredes,

Há tanta moça bonita

Nas ruas que não andei

(E há uma rua encantada

Que nem em sonhos sonhei...)

Quando eu for, um dia desses,

Poeira ou folha levada

No vento da madrugada,

Serei um pouco do nada

Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar

Pareça mais um olhar,

Suave mistério amoroso,

Cidade de meu andar

(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso...

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