Cheguei a encontrá-lo (passar por ele) na Rua da Praia, no calçadão da Praça da Alfândega, nos anos 80. Ele já estava frágil, caminhava bem devagarinho, apoiado numa bengala, lembrava um passarinho, com o cabelinho branco que parecia uma penugem. Me deu uma emoção tão grande. Pensei: "queria que ele fosse meu avozinho". A imagem dele dava ternura.
Acho que ele fazia esta caminhada quase todos os dias, tanto que tem uma foto dele passeando neste trecho da Rua da Praia.

Praça da Alfândega, onde eu tive o privilégio de cruzar por ele
Poetinha passeando muito eleganteO poema que eu mais gosto dele é este:
"O Mapa"
Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
(E nem que fosse o meu corpo!)
Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...
Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso...
Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
(E nem que fosse o meu corpo!)
Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...
Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso...



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