8 de jan. de 2010

Boneca holandesa

Quando eu tinha uns doze, treze anos, tinha uma gatinha que vivia se enroscando nas minhas pernas, e, quando sentava para fazer lição de casa, ela ficava passando no meu rosto, como se quisesse toda a atenção para ela. Ela era minha companheira constante.
Então, um dia, ela ficou doente e morreu. Eu fiquei inconsolável.
Um certo dia meu pai chegou em casa e me falou que gostaria de me dar uma boneca, que era um sonho antigo, mas não tinha dinheiro para comprar, e que eu me conformasse. Eu respondi que não tinha importancia, mas por dentro me sentia muito triste. Sem gata, sem boneca...
Então o pai pediu: - Pega, em cima do guarda-roupa o meu pacote de cigarros.
Fui, mal contendo as lágrimas (sempre fui muito chorona) e quando peguei o pacote era a mais linda boneca que alguém já ganhou. Ela tinha trancinhas loiras, olhos azuis e estava vestida de holandesinha típica (a mãe do pai era holandesa), com avental e tamanquinhos. Meu Deus, que emoção.
Foi ela que me consolou da perda da Mimosa, minha gatinha amada.

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